AS ÁGUAS SALGADAS QUE LIGAM BORI E DORIVAL NA RUA JACEGUAI 520
Dois movimentos movem o mar dos mistérios e da ancestralidade no Teat(r)o Oficina nesse momento, kalunga imensa, duas forças marítimas que firmam sua teatralidade seguindo o fio deste barbante que não tem fim há quase 7 décadas.
BORI
Luz Negra no Terreyro Eletrônico
Organizado por Marília Piraju e Fernanda Taddei, ao lado de Lucas Andrade, Odá Silva, Joel Carlos e Ana Clara Cantanhede e Tyazo Uzyna Uzona, BORI celebra, devora, investiga, presentifica e alimenta as criações e atravessamentos dos povos negros em 68 anos de companhia, marcado por inúmeros artistas, técnicos e diretores que forjaram junto à encruzilhada da rua Jaceguai 520 essa linguagem tombada como patrimônio imaterial brasileiro. BORI também evoca as presenças da geração de agora pensando, agindo e f(r)iccionando sobre o seu tempo, lutas, desejos e novas flechas de futuro–presente.
A programação, toda gratuita, conta com debates da companhia com pessoas artistas e pensadoras negras convidadas e culmina na apresentação única do espetáculo-rito BORI, reunindo Salloma Salomão, Coletivo Legítima Defesa, Denise Ferreira da Silva, Eduardo Neves, Luciana Araújo, William Santana Santos, castilho e artistas da companhia, para refletir sobre racismo, teatralidades negras, arqueologia, memória, resistência e reexistência no Bixiga.
Com um programa especial que articula arte, pensamento crítico e luta política, o teatro se acende para o seu tempo. Serão seis encontros gratuitos na sede do teatro, no Bixiga, em São Paulo, tendo como fio condutor o espetáculo-rito BORI, que esteve em cartaz entre 2023 e 2024 e ganha apresentação única no dia 12 de abril.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
E GRATUITA
25/03 (quarta), 20h
Leitura encenada de O Poder Negro
Com Coletivo Legítima Defesa, seguida de conversa com William Santana Santos
28/03 (sábado), 11h
Conversa com Eduardo Neves e Luciana Araújo
Tema: A Terra Quer: arqueologia em territórios pretos e indígenas – rotas de luta e imaginação
11/04 (sábado), 11h
Conversa com Denise Ferreira da Silva
Tema: conferência Luz Negra no Mundo – a epifania do corpo infinito
12/04 (domingo), 18h
BORI – apresentação única do espetáculo-rito
Entrada gratuita por ordem de chegada até esgotar a lotação da casa



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DORIVAL E A MAR
112 anos de Dorival Caymmi
Já inserido no calendário oficial da companhia desde 2024, o espetáculo celebra tradicionalmente o mestre barqueiro da música brasileira em abril, mês de seu nascimento. Dorival e a Mar é um rito-espetáculo em homenagem a Dorival Caymmi, cantor e compositor central na história da canção brasileira e inspiração oceânica na linguagem da companhia – a língua das canções de Caymmi roça a língua do teatro musical feito nessa uzyna de tragycomediaorgya, como referência e trilha para diversos espetáculos do grupo.
Dirigida por Cyro Morais, a obra conta com um elenco precioso de artistas-criadores do Oficina nesse momento absolutamente fértil de multidireções e encenações da companhia.
“Nas canções de Caymmi, o mar engloba absolutamente tudo: o trabalho, o amor, o mistério, a religiosidade, a brincadeira, a vida e a morte. Todo esse imagiário cantado por ele vem inspirando gerações de artistas”, conta Cyro Morais, idealizador, diretor e ator do espetáculo. “Dorival é um mestre da canção brasileira. As canções dele cantam um Brasil não de quem viu de fora, mas de quem viveu, esteve naquelas paisagens que ele canta. Ele traz o mistério e a magnitude presente nos acontecimentos mais cotidianos. O teatro, feito carro-naval, atravessa todas essas imagens” Cyro Morais
Cyro realça ainda um ponto de contato muito profundo com a obra do compositor baiano e explica as razões pessoais pelas quais escolheu ser este o seu primeiro espetáculo como diretor no Oficina: “Eu sou um artista negro e nordestino nascido e criado entre as cidades de Recife e Olinda, cidades de mar. As músicas de Caymmi pareciam sempre falar de uma realidade muito próxima a mim. Ouvia ele cantando e sentia como se fosse alguém muito próximo, um tio ou um avô cantando elas pra mim”.
O espetáculo, que já tinha no repertório clássicos como “O Mar”, “O Bem do Mar”, “Saudade de Itapoã”, “Dora”, “O Vento” e “Canção de Partida”, nesta versão, traz outros sucessos do compositor como “Quem Vem Pra Beira do Mar”, “Pescaria”, “Festa de Rua”, entre outros.
No elenco estão Cyro, Kelly Campello, Danielle Rosa, Zé Ed, Marília Piraju, Ayomi Domenica, Ysmael Ribeiro e Ana Clara Cantanhede, com participação especial de Letícia Coura e Cafira Zoé. Na direção musical, Guina Santos (violão e guitarra), que está na banda junto a Moita Mattos (baixo), Beto Sporleder (sopro), Julio Dreads Oliveira e Fefê Camilo (percussão).
DORIVAL E A MAR
Ficha Técnica
Idealização, direção, produção e atuação:
Cyro Morais
Direção Musical e Arranjos:
Guina Santos
Elenco:
Cyro Morais
Danielle Rosa
Kelly Campello
Zé Ed
Ayomi Domenica
Ysmael Ribeiro
Participação especial:
Letícia Coura
Cafira Zoé
Banda:
Beto Sporleder
Guina Santos
Julio Dreads Oliveira
Moita Mattos
Fefê Camilo
Direção de arte:
Marília Piraju
Direção de cena:
Dan Salas
Figurino:
Anita Braga
Iluminação:
Victoria Pedrosa
Operação de Som:
Camila Fonseca
Operação de vídeo:
Diego Arvate
Câmera:
Victor Rosa
Imagens de Salvador:
Nash Laila
Produção:
Tati Rommel
Rede social, mídia tática e vídeos de divulgação:
Cafira Zoé
Apoio:
Casa de Acervo do Teatro Oficina
SERVIÇO:
Dorival e a Mar
Direção Cyro Morais
Criação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
13, 20, 27 e 30 (aniversário de Dorival) de abril – sempre às 20h
Rua Jaceguai, 520 – Teatro Oficina
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/88611









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TEAT(R)O OFICINA HOJE
O maior legado de José Celso Martinez Corrêa é coletivo e se chama Teatro Oficina Uzyna Uzona. Fundada em 1958, a Companhia, tombada como patrimônio material e imaterial brasileiro pelo IPHAN, é a mais longeva em ação no país. Ao longo de anos inventamos, lutamos, criamos, imaginamos, desejamos e forjamos um teatro de muitos povos, mãos e criações. O Teat(r)o Oficina se estrutura hoje como um coletivo com multidireções na composição de seu repertório e com um núcleo expandido de gestão. A geração que agora pega o bastão, com toda a beleza da sua multiplicidade, assume o timão com grande fôlego para o cultivo, preservação e continuidade deste patrimônio vivo. Há mais de 40 anos trava uma batalha direta, ao lado de muitas alianças, contra o avanço da especulação imobiliária no bairro do Bixiga, defendendo o território que hoje dá vida ao Parque do Rio Bixiga, das garras da verticalização predatória. A força do teatro e da cultura, em confluência com outras lutas e movimentos, conseguiu dar um destino público, com função sócio-cultural e ambiental, à uma área antes privada, ligada ao capital especulativo.
Teatro também se planta. Teatro é território!




